PERFIL DO ATENDIMENTO DE ADOLESCENTES COM HEMOFILIA NO SERVIÇO DE EMERGÊNCIA DO HEMOPE
Introdução: A hemofilia é uma doença hemorrágica, genética, rara, com herança recessiva ligada ao cromossomo X. É caracterizada pela deficiência ou anormalidade da atividade coagulante do fator VIII (hemofilia A) ou do fator IX (hemofilia B). Do ponto de vista clínico, as hemofilias A e B são semelh...
Main Authors: | , , , , , , , , |
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Format: | Article |
Language: | English |
Published: |
Elsevier
2021-10-01
|
Series: | Hematology, Transfusion and Cell Therapy |
Online Access: | http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2531137921006490 |
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author | TMR Guimaraes TA Beltrão RS Botelho NCM Costa HL Oliveira LBL Moraes EMUA Silva ILA Ferreira IM Costa |
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description | Introdução: A hemofilia é uma doença hemorrágica, genética, rara, com herança recessiva ligada ao cromossomo X. É caracterizada pela deficiência ou anormalidade da atividade coagulante do fator VIII (hemofilia A) ou do fator IX (hemofilia B). Do ponto de vista clínico, as hemofilias A e B são semelhantes, apresentando quadros hemorrágicos dependendo dos níveis plasmáticos do fator deficiente. Em 2018, o Brasil (n = 12.653) tinha a quarta maior população mundial de pessoas com hemofilia, sendo a distribuição por faixa etária adolescente 14–18 anos (10%); ficando atrás da Índia (n = 20.778), Estados Unidos (n = 17.757) e China (n = 18.712), sendo a doença de maior prevalência entre as coagulopatias hereditárias. Objetivo: Descrever o perfil do atendimento de adolescentes com hemofilia no serviço de emergência do hospital Hemope. Métodos: Estudo do tipo série de casos, descritivo e retrospectivo. O estudo foi realizado através da coleta de dados secundários de prontuários eletrônicos da instituição. A população do estudo foram adolescentes com hemofilia, faixa etária de 10 a 19 anos, atendidos no Serviço de Pronto Atendimento, no ano de 2019. A coleta de dados foi realizada no período de outubro a dezembro de 2020. Resultados: 1. Variáveis sociodemográficas: Todos os adolescentes eram do sexo masculino,média de idade 15,2 ± 2,3, faixa etária predominante 15–20 anos (55%);cor parda (50%), eram estudantes (82%), com ensino fundamental incompleto(60%). 2. Variáveis clínicas e tipo de tratamento: A maioria apresentava hemofilia A (92%), tipo grave (45%) e moderada (42%), fazia tratamento profilático(75%) e apresentava alta prevalência de anticorpos inibidores (12,5%). 3. Características dos atendimentos: Verificou-se 40 atendimentos no ano,número de atendimentos 1–2 vezes (40%) e ≥5 (37,5%), das 19 às 7h (80%), motivo do atendimento foram sangramentos (87,5%), provocados por esforço ou trauma (54%).Os principais locais de sangramentos foram os joelhos (25,7%), tornozelo/pés (22,9%) e coxo femoral/iliopsoas (14,3%). 4. Complicações osteoarticulares: Verificou-se que a maioria apresentava complicações osteoarticulares (52,5%), com comprometimento de 1–2 articulações (81%); nos joelhos (50%), cotovelos (28%) e tornozelos (18,8%). 5. Tipo de medicação administrada: Verificou-se que a maioria fez uso de fatores de coagulação (66%) e analgésicos (21,4%). Foram realizados 45% encaminhamentos, destes, os principais foram dentista (11%), fisioterapeuta (11%) e exames de ultrassonografia e radiológico (17%). Um total 22% dos adolescentes necessitaram de internação hospitalar. Discussão: A frequência dos episódios hemorrágicos varia com a idade, sendo mais frequentes na infância e adolescência. Hemartroses de forma repetida e, sobretudo numa articulação-alvo, pode vir a acarretar artropatias com degeneração articular progressiva e deformidade física.Portanto,se não forem prevenidas em tempo oportuno com adesão ao tratamento, essas alterações físicas podem surgir ainda na infância, com dores crônicas, restrição de atividades, vindo a se tornar irreversíveis com impacto na qualidade de vida. Conclusão: Verificamos que o principal motivo dos atendimentos foram os sangramentos nos membros inferiores e coxo femoral/iliopsoas, provocado por esforço ou trauma, sendo administrado o fator de coagulação e analgésicos. Ressaltamos a importância do acompanhamento ambulatorial multidisciplinar realizado no serviço,que pode promover redução de complicações osteoarticulares, e consequentemente a melhoria da qualidade de vida dos adolescentes. |
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É caracterizada pela deficiência ou anormalidade da atividade coagulante do fator VIII (hemofilia A) ou do fator IX (hemofilia B). Do ponto de vista clínico, as hemofilias A e B são semelhantes, apresentando quadros hemorrágicos dependendo dos níveis plasmáticos do fator deficiente. Em 2018, o Brasil (n = 12.653) tinha a quarta maior população mundial de pessoas com hemofilia, sendo a distribuição por faixa etária adolescente 14–18 anos (10%); ficando atrás da Índia (n = 20.778), Estados Unidos (n = 17.757) e China (n = 18.712), sendo a doença de maior prevalência entre as coagulopatias hereditárias. Objetivo: Descrever o perfil do atendimento de adolescentes com hemofilia no serviço de emergência do hospital Hemope. Métodos: Estudo do tipo série de casos, descritivo e retrospectivo. O estudo foi realizado através da coleta de dados secundários de prontuários eletrônicos da instituição. A população do estudo foram adolescentes com hemofilia, faixa etária de 10 a 19 anos, atendidos no Serviço de Pronto Atendimento, no ano de 2019. A coleta de dados foi realizada no período de outubro a dezembro de 2020. Resultados: 1. Variáveis sociodemográficas: Todos os adolescentes eram do sexo masculino,média de idade 15,2 ± 2,3, faixa etária predominante 15–20 anos (55%);cor parda (50%), eram estudantes (82%), com ensino fundamental incompleto(60%). 2. Variáveis clínicas e tipo de tratamento: A maioria apresentava hemofilia A (92%), tipo grave (45%) e moderada (42%), fazia tratamento profilático(75%) e apresentava alta prevalência de anticorpos inibidores (12,5%). 3. Características dos atendimentos: Verificou-se 40 atendimentos no ano,número de atendimentos 1–2 vezes (40%) e ≥5 (37,5%), das 19 às 7h (80%), motivo do atendimento foram sangramentos (87,5%), provocados por esforço ou trauma (54%).Os principais locais de sangramentos foram os joelhos (25,7%), tornozelo/pés (22,9%) e coxo femoral/iliopsoas (14,3%). 4. Complicações osteoarticulares: Verificou-se que a maioria apresentava complicações osteoarticulares (52,5%), com comprometimento de 1–2 articulações (81%); nos joelhos (50%), cotovelos (28%) e tornozelos (18,8%). 5. Tipo de medicação administrada: Verificou-se que a maioria fez uso de fatores de coagulação (66%) e analgésicos (21,4%). Foram realizados 45% encaminhamentos, destes, os principais foram dentista (11%), fisioterapeuta (11%) e exames de ultrassonografia e radiológico (17%). Um total 22% dos adolescentes necessitaram de internação hospitalar. Discussão: A frequência dos episódios hemorrágicos varia com a idade, sendo mais frequentes na infância e adolescência. Hemartroses de forma repetida e, sobretudo numa articulação-alvo, pode vir a acarretar artropatias com degeneração articular progressiva e deformidade física.Portanto,se não forem prevenidas em tempo oportuno com adesão ao tratamento, essas alterações físicas podem surgir ainda na infância, com dores crônicas, restrição de atividades, vindo a se tornar irreversíveis com impacto na qualidade de vida. Conclusão: Verificamos que o principal motivo dos atendimentos foram os sangramentos nos membros inferiores e coxo femoral/iliopsoas, provocado por esforço ou trauma, sendo administrado o fator de coagulação e analgésicos. 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