Summary: | Este artigo propõe questionar o ato de fazer política, através da análise de uma obra de Shakespeare, “Macbeth” compreender como o bem, o mal e a racionalidade do julgamento se conjugam ou se diferem no agir político do personagem, este ato que oscila entre ser legalizado, tradicionalizado ou carismático, mas que, apesar de contraditório, ultrapassa milênios e subsiste em sociedades das mais complexas. Shakespeare estruturou um personagem tirano que galgou um poder através de um status legítimo, pois foi obtido através da sucessão “natural” ao trono; mas não pode ser considerado um poder legal, no sentido de Weber, pois foi desde o início marcado por crimes. A legalidade pressupõe uma racionalidade no agir político, racionalidade esta cunhada na ética profissional do político. Entretanto, o poder tradicional monárquico impera na obra literária e nos convida a pensar sobre a tirania e a não-tirania. Busca-se em Hannah Arendt estabelecer relação entre o pensar e a capacidade de fazer o mal ao participar do cenário político. A busca pela racionalidade do julgamento no agir político é uma alternativa relevante, apesar de muitas vezes expressar interesses particulares, de grupos ou categorias que exercem maior domínio nas relações sociais e políticas.
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