Cronoterapia dos fármacos anti-hipertensores: uma revisão baseada na evidência

Objetivo: Determinar se a administração noturna de fármacos anti-hipertensores poderá ter benefício em termos de eficácia na redução dos valores tensionais e/ou de eventos cardiovasculares, morbilidade e mortalidade comparativamente à sua administração no período matinal. Fontes de dados: National...

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Bibliographic Details
Main Authors: Ângela Oliveira Mendes, Filipa Oliveira Pinheiro
Format: Article
Language:English
Published: Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar 2020-04-01
Series:Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
Subjects:
Online Access:https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12620
Description
Summary:Objetivo: Determinar se a administração noturna de fármacos anti-hipertensores poderá ter benefício em termos de eficácia na redução dos valores tensionais e/ou de eventos cardiovasculares, morbilidade e mortalidade comparativamente à sua administração no período matinal. Fontes de dados: National Guideline Clearinghouse, NHS Evidence, CMA Infobase, The Cochrane Library, DARE e MEDLINE/PubMed. Método de revisão: Pesquisa de guidelines, revisões sistemáticas (RS), meta-análises (MA) e ensaios clínicos publicados entre janeiro de 2008 e outubro de 2018, disponíveis nas línguas inglesa e portuguesa, com os termos MeSH Antihypertensive Agents e Drug Chronotherapy. Foi aplicada a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT), da American Family Physician, para avaliação dos níveis de evidência (NE) e da força de recomendação (FR). Resultados: Obtiveram-se 55 artigos na pesquisa inicial, dos quais 13 cumpriram os critérios de inclusão. Com a administração no período noturno dos fármacos verificou-se essencialmente um maior controlo dos valores tensionais no período noturno e reversão de perfis não dipper a dipper, sem diferenças estatisticamente significativas no período diurno. Apenas a MA analisou a mortalidade global e cardiovascular, não tendo sido detetadas alterações estatisticamente significativas neste parâmetro entre os grupos de administração no período matinal e noturno; no entanto, foi evidente em três dos estudos um menor risco relativo de eventos cardiovasculares no grupo de administração no período noturno. Conclusão: A administração de fármacos anti-hipertensores no período noturno comprovou ter benefício em termos de redução dos valores tensionais e mostrou superioridade nessa redução durante o período noturno, permitindo inclusivamente reverter padrões não-dipper/riser a dipper. No entanto, são necessários estudos posteriores, com uma maior uniformidade de critérios e avaliação da morbimortalidade CV, de forma a garantir a eficácia e segurança da administração noturna de fármacos anti-hipertensores.
ISSN:2182-5181