A culinária redescoberta de Em Busca do Tempo Perdido

Para além da clássica imagem do chá com madeleines, na literatura proustiana pode-se falar em uma culinária que se desenha a partir de uma outra estética, que foge aos padrões de docilidade e simetria. Elucidá-la, a partir do texto de Em busca do tempo perdido, é o objetivo deste trabalho. O conceit...

Full description

Bibliographic Details
Main Authors: Michelle Jacob, Josimey Costa da Silva, Natália Batista
Format: Article
Language:deu
Published: Universidade Federal de Ouro Preto 2018-08-01
Series:Artefilosofia
Subjects:
Online Access:https://www.periodicos.ufop.br/raf/article/view/955
Description
Summary:Para além da clássica imagem do chá com madeleines, na literatura proustiana pode-se falar em uma culinária que se desenha a partir de uma outra estética, que foge aos padrões de docilidade e simetria. Elucidá-la, a partir do texto de Em busca do tempo perdido, é o objetivo deste trabalho. O conceito de culinária é pensado aqui por uma perspectiva que o compreende como sistema cultural alimentar. Para lograr o objetivo desta investigação, foram realizadas leituras da obra e uma posterior documentação, que subsidiou a análise. Proust sugere que seu romance não representa uma sistematização em um corpo único e inteligível. Delineia-se, assim, a ideia de uma culinária indócil, que pode ser descrita por quatro características: tem a cozinha como lugar de potência; compreende a feira como espaço que instaura uma poética dos alimentos; produz um discurso sobre a escassez da guerra; é alcoólica e desvenda heterotopias. Partindo da leitura do autor, que advoga para a construção de sua obra um pathos, confirma-se que a culinária apresentada por ele não poderia ser sistematizada em um logos. Assim como na obra Em busca, ela poderia ser pensada como o estudo de grandes leis e generalidades dietéticas, como uma culinária indócil.
ISSN:1809-8274
2526-7892