Instituições sociais: um diálogo entre sociologia de Chicago e filosofia pragmatista

Resumo Este artigo volta às propostas teóricas de Robert E. Park e William I. Thomas sobre o processo de desorganização/reorganização social e a forma como isso foi tratado em algumas das dissertações de sociologia de Chicago na década de 1920. As instituições sociais eram consideradas organismos vi...

Full description

Bibliographic Details
Main Author: Daniel Cefaï
Format: Article
Language:English
Published: Universidade de Brasília 2021-09-01
Series:Sociedade e Estado
Subjects:
Online Access:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922021000200461&tlng=pt
_version_ 1818775060466368512
author Daniel Cefaï
author_facet Daniel Cefaï
author_sort Daniel Cefaï
collection DOAJ
description Resumo Este artigo volta às propostas teóricas de Robert E. Park e William I. Thomas sobre o processo de desorganização/reorganização social e a forma como isso foi tratado em algumas das dissertações de sociologia de Chicago na década de 1920. As instituições sociais eram consideradas organismos vivos que nascem, crescem e morrem e que existem através de suas transações com seus ambientes e através da gênese dessas transações. Os processos básicos desta ecologia de instituições sociais, nas ordens biótica e moral, foram apreendidos com as categorias de competição e seleção, isolamento, invasão e sucessão, cooperação, parasitismo e simbiose, conflito, acomodação e assimilação. As descrições e análises estatísticas e cartográficas tornaram possível dar conta de processos ecológicos de diferenciação funcional e territorial, étnica e racial, distribuição e segregação. Esta primeira etapa, nos anos 1920-1930, ajuda a entender como W. F. Whyte, H. Blumer e E. C. Hughes estudaram o processo de institucionalização de hospitais, empresas, sindicatos, igrejas e organizações de movimentos sociais nos anos 1940-1960. Essa perspectiva ecológica clássica é enriquecida aqui através de seu confronto com a filosofia pragmatista - da qual Park e Thomas eram próximos. As instituições sociais, além de sua base ecológica, são tomadas como campos experimentais e matrizes culturais, que crescem em torno de tentativas de definir e dominar os problemas sociais. As noções tomadas emprestadas a Dewey de razão pública, inteligência coletiva e aprendizagem coletiva pelas comunidades de debatedores, investigadores e experimentadores, entram em jogo. As instituições sociais são acumuladores, condensadores e geradores de experiência, know-how e conhecimento: elas empoderam ou desempoderam seus membros ou beneficiários. Tal conjunto de questões nos permite abordar numa nova perspectiva algumas questões de sociologia das organizações.
first_indexed 2024-12-18T10:51:02Z
format Article
id doaj.art-aef72307347c467593c8b76d2ce92bf0
institution Directory Open Access Journal
issn 1980-5462
language English
last_indexed 2024-12-18T10:51:02Z
publishDate 2021-09-01
publisher Universidade de Brasília
record_format Article
series Sociedade e Estado
spelling doaj.art-aef72307347c467593c8b76d2ce92bf02022-12-21T21:10:27ZengUniversidade de BrasíliaSociedade e Estado1980-54622021-09-0136246148510.1590/s0102-6992-202136020005Instituições sociais: um diálogo entre sociologia de Chicago e filosofia pragmatistaDaniel Cefaïhttps://orcid.org/0000-0002-3099-5497Resumo Este artigo volta às propostas teóricas de Robert E. Park e William I. Thomas sobre o processo de desorganização/reorganização social e a forma como isso foi tratado em algumas das dissertações de sociologia de Chicago na década de 1920. As instituições sociais eram consideradas organismos vivos que nascem, crescem e morrem e que existem através de suas transações com seus ambientes e através da gênese dessas transações. Os processos básicos desta ecologia de instituições sociais, nas ordens biótica e moral, foram apreendidos com as categorias de competição e seleção, isolamento, invasão e sucessão, cooperação, parasitismo e simbiose, conflito, acomodação e assimilação. As descrições e análises estatísticas e cartográficas tornaram possível dar conta de processos ecológicos de diferenciação funcional e territorial, étnica e racial, distribuição e segregação. Esta primeira etapa, nos anos 1920-1930, ajuda a entender como W. F. Whyte, H. Blumer e E. C. Hughes estudaram o processo de institucionalização de hospitais, empresas, sindicatos, igrejas e organizações de movimentos sociais nos anos 1940-1960. Essa perspectiva ecológica clássica é enriquecida aqui através de seu confronto com a filosofia pragmatista - da qual Park e Thomas eram próximos. As instituições sociais, além de sua base ecológica, são tomadas como campos experimentais e matrizes culturais, que crescem em torno de tentativas de definir e dominar os problemas sociais. As noções tomadas emprestadas a Dewey de razão pública, inteligência coletiva e aprendizagem coletiva pelas comunidades de debatedores, investigadores e experimentadores, entram em jogo. As instituições sociais são acumuladores, condensadores e geradores de experiência, know-how e conhecimento: elas empoderam ou desempoderam seus membros ou beneficiários. Tal conjunto de questões nos permite abordar numa nova perspectiva algumas questões de sociologia das organizações.http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922021000200461&tlng=ptInstituições sociaisPragmatismoInteracionismoEscola de Sociologia de ChicagoSociologia das organizações
spellingShingle Daniel Cefaï
Instituições sociais: um diálogo entre sociologia de Chicago e filosofia pragmatista
Sociedade e Estado
Instituições sociais
Pragmatismo
Interacionismo
Escola de Sociologia de Chicago
Sociologia das organizações
title Instituições sociais: um diálogo entre sociologia de Chicago e filosofia pragmatista
title_full Instituições sociais: um diálogo entre sociologia de Chicago e filosofia pragmatista
title_fullStr Instituições sociais: um diálogo entre sociologia de Chicago e filosofia pragmatista
title_full_unstemmed Instituições sociais: um diálogo entre sociologia de Chicago e filosofia pragmatista
title_short Instituições sociais: um diálogo entre sociologia de Chicago e filosofia pragmatista
title_sort instituicoes sociais um dialogo entre sociologia de chicago e filosofia pragmatista
topic Instituições sociais
Pragmatismo
Interacionismo
Escola de Sociologia de Chicago
Sociologia das organizações
url http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922021000200461&tlng=pt
work_keys_str_mv AT danielcefai instituicoessociaisumdialogoentresociologiadechicagoefilosofiapragmatista