Summary: | As Cartas portuguesas, escritas no final do século XVII, exigem do leitor uma mirada entre o literal e o literário. Ao ficcionar o amor impossível entre uma freira portuguesa e um militar francês, as cinco cartas, cheias de um discurso amoroso que vai da intensidade ao desespero, podem ser lidas no trânsito entre duas línguas, além de possuírem várias possíveis afinidades tensas, como a que pode ser provocada em perspectiva à poesia de Camões. A impossibilidade do amor que as cartas dramatizam chega a outra impossibilidade, que é a determinação da origem do texto, que acaba por ser, em virtude de sua incerteza autoral, uma insuperável flutuação, uma quase metáfora do desejo em estado de escrita.
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